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Gripe não é ‘fraca’ e vacina é a melhor prevenção; entenda a importância

Desde que foi lançada em 4 de abril, a Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza não atingiu a meta de imunização que se esperava para um dos públicos-alvo da primeira etapa: os idosos acima de 60 anos.

Segundo dados do Ministério da Saúde, pouco mais de 30% dos idosos se vacinaram contra a gripe em todo o Brasil no primeiro mês da campanha. Essa primeira fase também incluiu os profissionais da área da saúde.

“Está muito aquém do desejável. Os idosos são o principal grupo de risco para complicações pela gripe”, afirma Flávia Bravo, diretora da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações).

Tânia Chaves, infectologista, docente da Faculdade de Medicina da UFPA (Universidade Federal do Pará) e representante regional da SBIm-Pará, diz que um dos motivos para a baixa cobertura está relacionada a uma percepção equivocada que as pessoas têm: “Elas acham que a gripe é uma doença leve ou fraca, que a vacina contra ela não é tão importante, que a covid é mais grave. Há até quem pense que o vírus da gripe despareceu depois do surgimento do coronavírus”.

Segundo Bravo, é essencial uma boa divulgação e comunicação que informe com simplicidade a importância e a disponibilidade das vacinas e os riscos da infecção. “Os riscos que a baixa cobertura vacinal pode trazer são vários, entre eles, o aparecimento de surtos e epidemias, o aumento no número de casos de síndrome respiratória aguda grave e a sobrecarga do sistema de saúde. São consequências que vêm ao longo do tempo por conta de uma doença que é plenamente evitável por vacina”, afirma.

O surto de gripe que explodiu no final de 2021 é, inclusive, apontado como uma dessas consequências da baixa adesão, uma vez que permitiu um ambiente propício para a propagação, fora de época, da epidemia do vírus influenza H3N2, que teve início no Rio de Janeiro e se espalhou rapidamente para outros estados.

Quem se vacinou em 2021 deve se vacinar em 2022?

Para quem tomou o imunizante durante o surto de gripe em novembro/dezembro no ano passado fica a dúvida se precisa se vacinar este ano. A resposta é sim, porque as vacinas de gripe de 2021 e 2022 são diferentes.

Eliane Matos dos Santos, infectologista pediátrica e membro do Comitê de Infectologia da Soperj (Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro), diz que houve alteração em uma cepa de influenza A e uma das cepas de influenza B. A variante H3N2, da linhagem de Darwin (subtipo A), foi incluída na composição deste ano.

Chaves, que também é consultora da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), afirma que devemos nos imunizar todos os anos justamente pelo fato de o vírus causador da gripe sofrer frequentes mutações. “As vacinas devem ser atualizadas de acordo com a circulação das variantes do vírus influenza.”

Bravo explica que as vacinas são pensadas para nos proteger durante a estação da gripe enquanto os vírus estão circulando e não ao longo do ano. “As vacinas influenza nos protegem. Não é com todo mundo, é um dado estatístico, mas com seis meses da aplicação a gente já não pode contar com a mesma proteção que tínhamos quando nos imunizamos nos primeiros 14 dias. Há uma perda de proteção no decorrer do ano, o que é mais um motivo para nos nos vacinarmos anualmente”, comenta.

Vacina é a melhor prevenção contra quadros graves

A imunização contra a gripe ainda é a melhor medida de prevenção, isso porque ela estimula o nosso sistema imunológico a produzir células de defesa contra o vírus, de acordo com a infectologista pediátrica Santos: “Caso sejamos infectados antes de termos sintomas gripais, nosso sistema de defesa produzirá anticorpos que nos protegerão de adoecermos, ou se adoecermos, de termos complicações e quadros graves”.

Quem não se vacina contra a gripe, especialmente as pessoas que fazem parte dos grupos de risco e prioritários, pode necessitar de assistência hospitalar: “A gripe pode ser uma doença grave e evoluir com complicações como pneumonia bacteriana. A depender do quadro, pode ser necessário o uso de ventilação mecânica e a doença pode levar até a óbito”, diz a docente da UFPA.

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